terça-feira, 12 de novembro de 2013

LITERATURA DE CORDEL

RESUMO

Este trabalho teve como finalidade observar o trabalho de professores de Língua Portuguesa e alunos do ensino fundamental, do Colégio Estadual Sátiro Dias, sobre leitura e em especial a leitura da literatura de cordel, bem como verificar a respeito do resgate de trabalhos voltados para poesia e versificação, formas predominantes nesse tipo de literatura. O trabalho com a literatura de cordel no referido colégio teve também a parceria dos professores de História e Artes, pois são disciplinas afins. A leitura e a escrita enquanto ferramenta de todas as disciplinas é certamente função de todos os professores, por isso que se resolveu fazer o trabalho em parceria. Após o trabalho realizado ao longo da unidade didática, culminou-se com uma mostra da literatura de cordel feita pelos alunos, para os pais e comunidade local.
Palavras-chaves: Leitura, literatura de cordel, ensino fundamental, aprendizagem. 

INTRODUÇÃO
A leitura nos últimos tempos vem sedo assunto de grande interesse entre profissionais da educação, haja vista que é através da dela que se conhece o mundo ao nosso redor e compreende-se o que se quer alcançar a respeito da realidade das informações que nos cercam.
Nas escolas a grande preocupação é formar leitores críticos e conscientes de seu papel da sociedade onde se está inserido. A partir disso, que os professores buscam sempre inovar as suas metodologias trazendo diversos materiais de leituras para que os educandos possam ampliar o acervo pessoal e enriquecer o vocabulário.
É nesse ínterim que Freire (1989), postula:
A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquela. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e contexto.
Logo, a leitura não deverá ser realizada como obrigação, mas como um processo de satisfação. A escolha do texto poderá ser feita pelo próprio educando, porém os professores devem também, sugerirem tipos variados de textos.
Vale informar que a leitura é ainda assunto muito pesquisado e estudado, pois para compreender o mundo que nos rodeia é preciso está informado sobre as diversas leituras que existem.
A partir do momento que nascemos, percebemos os sons em nossa volta, a luz, as cores, a canção de ninar de nossos familiares e as mãos que nos acalenta. Por isso, é que estamos desde sempre em contato com esse mundo de leituras.
Nesse sentido, a leitura é conforme Martins,
considerar a leitura como um processo de compreensão de expressões formais e simbólicas, não importando por meio de que linguagem. Assim, o ato de ler se refere tanto a algo escrito quanto a outros tipos de expressão do fazer humano, caracterizando-se também como acontecimento histórico e estabelecendo uma relação igualmente histórica entre o leitor e o que é lido. (...) (1994, p.30-31) 
​Assim ler é certamente adentrar em mundos possíveis, é relacionar a realidade com o imaginário, é questionar a razão de existir, é sair de um texto e se colocar criticamente a respeito do que ele fala e ler inclusive as entrelinhas.
​Hoje em dia por conta das relações sociais e o crescimento da cultura a leitura e a escrita estão mais complexas, também pelos fatores econômicos, históricos, raciais e até de gênero. Daí que  temos uma infinidade de gêneros que colaboram com o professor em sala de aula a exemplo dos quadrinhos, tirinhas, leitura visual, charges, músicas e a literatura de cordel que incentivam a prática da leitura.
​Essas ferramentas são sem dúvida uma mão na roda para o professor de português desenvolver com seus alunos a prática da leitura de maneira criativa, harmônica e divertida.
Diante disso, é necessário compreender a leitura como um processo profundo, ou seja, um gesto, um aceno, uma imagem, um som, um barulho de uma folha caindo, o jeito que uma pessoa está andando, uma obra de arte, a buzina de um carro, tudo isso se caracteriza como leitura, pois se compreende como forma de comunicação.
De acordo com Freire, já citado anteriormente,
A insistência na quantidade de leitura sem o devido adentramento nos textos a serem compreendidos, e não mecanicamente memorizados, revela uma visão mágica da palavra escrita. Visão que urge ser superada. A mesma, ainda que encarnada desde outro ângulo, que se encontra, por exemplo, em quem escreve, quando identifica a possível qualidade de seu trabalho, ou não com a quantidade de páginas escritas.

​Diante do que foi dito acima é necessário observarmos a qualidade da leitura e tomar consciência de que é mais válida a qualidade do que a quantidade de leitura. O que se aprecia, o gosto e a aprendizagem pela leitura é o que deve ficar retido em nós.
​Com isso, torna-se relevante os cuidados e a preocupação dos professores em relação ao desenvolvimento do hábito da leitura em suas classes. Compreender o sentido das palavras é diferente de apenas vê-las.
​Transferido essa discussão para o ensino fundamental, onde essa pesquisa foi realizada, a preocupação em relação à leitura é um pouco maior, pois é a partir dos pequenos que se investe no despertar para a leitura. Nesse caso o contato com várias fontes de leitura é de grande significado para tal despertar.
A literatura de cordel. Foi o tema escolhido para ser trabalhado nas turmas do ensino fundamental do Colégio Estadual Sátiro Dias, na unidade didática, por ser uma literatura mais antigas e prazerosa de se estudar, afinal se deve estudar por prazer.
​Literatura de cordel é certamente uma excelente sugestão para os alunos, pois é um texto literário, isto é de caráter conotativo e que tem sua origem na Idade Média, datando-se em meados do século IX, e muitos a modificaram dando uma característica própria e se tornando um patrimônio. 
​As características da literatura de cordel, patrimônio principalmente do Nordeste do país, onde relatavam vida do sertanejo com pouco estudo, tratava-se também dos mitos locais e da redondeza, em estilo épico e fácil de decorar por que não era alfabetizado.
​Desde aquela época que as pessoas já tinham o gosto pela leitura, mesmo não livresca. Entretanto, queriam mais ainda que resolveram publicarem folhetos e normalmente ilustrados com xilogravura.
É uma técnica em que se entalha na madeira, com ajuda de instrumento cortante, a figura ou forma (matriz) que se pretende imprimir. Após este procedimento, usa-se um rolo de borracha embebida em tinta, tocando só as partes elevadas do entalhe. O final do processo é a impressão em alto relevo em papel ou pano especial, que fica impregnado com a tinta, revelando a figura.(http://pt.wikipedia.org/wiki/Xilogravura. acesso em 08 de novembro de 2013)
​Aqueles que recitavam a literatura de cordel eram conhecidos como cordelistas e recitavam de maneira prazerosa e melodiosa e, geralmente acompanhadas de violas. Eles faziam isso com o intuito não só de se divertirem, mas de conquistar os compradores.
​Esse conhecimento trazido para os alunos do ensino fundamental, onde a pesquisa se efetivou, foi de grande significado, uma vez que eles estavam se deparando com coisas novas, novos conhecimentos, logo foi um aprendizado satisfatório tanto para os professores quanto para os alunos.
​Hodiernamente, esses folhetos que antes eram pendurados em cordões nas barracas, nas praças e nas ruas, saíram e ocuparam lugar na escola.
passou pelos livros e chegou às escolas cearenses por meio do projeto Acorda Cordel, idealizado pelo cordelista Arievaldo Viana. "Fui alfabetizado pela literatura de cordel, em 1973. Os folhetos eram as únicas leituras disponíveis. Primeiro, decorava os versos lidos por minha avó. Depois, ela foi me ensinando a identificar as letras e a formar palavras", disse o poeta na época do lançamento do projeto, que tem como carro-chefe um livro didático de sua própria autoria. (Shirley Paradiso,http://educarparacrescer.abril.com.br/leitura/literatura-cordel-540085. acesso em 10 de novmbro.)

Dessa forma, pode-se dizer que muitos já conhecem e leram a literatura de cordel e de acordo com historiador Gustavo Barroso (1921) "O ensino começava pela poesia, por ser o meio mais fácil de guardar na memória, nessa época em que livro era raro... Assim pôde o povo grego conservar, carinhosamente, de cor, os admiráveis cantos de seus rapsodos".
Nos dias atuais é um grande desafio para os educadores ajudar seus alunos a despertarem o gosto pela leitura livresca uma vez que estão inseridos no mundo digital. Porém os professores dos alunos na escola supracitada não tiveram esse problema. Pensa-se que é por conta da faixa etária.
O cordel ainda tem outra vantagem. O custo. É um folheto barato, acessível e fácil de carregar. Pois cabe em qualquer lugar, até mesmo no bolso.
Voltando a relatar sobre os alunos pesquisados após realizarem vários estudos ele se atreveram, num bom sentido, a escrever cordéis. Tiveram a colaboração de cordelistas convidados que passaram mais informações.
Vale acrescentar que o cordel, diferente de outras literaturas, nasceu primeiro na oralidade e depois para a escrita e é geralmente baseado na realidade vivida pelo cordelista ou presenciada por este.
Hoje o cordel se modernizou inclusive em suas capas. Muitos artistas estão colocando imagens de cartão postal, dando um diferencial naquele que era de xilogravura. Ainda prevalecem os versos em tons matutos, as crenças dos sertanejos e ainda a mulher que é sempre tema dos escritores, assim chamados hoje, além do amor.
Portanto, a literatura de cordel foi uma ideia muito enriquecedora para ampliar a leitura dos alunos da escola Sátiro Dias, além de fazer um resgate de uma literatura oriunda da Idade Média.




Referências
FREIRE. Paulo, A importância do ato de ler, em três artigos que se completam, 1ª Ed. São Paulo: autores associados: 1989.
MARTINS, Maria Helena. O que é leitura. 19. ed. São Paulo: Brasiliense, 1994
http://pt.wikipedia.org/wiki/Xilogravura. acesso em 08 de novembro de 2013, às 12h34min)

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