quarta-feira, 13 de novembro de 2013

RESENHA CRÍTICA


RESENHA CRÍTICA DO ARTIGO “MIDIAS, MAQUINAS DE IMAGENS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS”, DA AUTORA ROSA MARIA BUENO FISHER.

 

FISHER, Rosa Maria Bueno. Mídia, máquinas de imagens e práticas pedagógicas. Revista Brasileira de Educação, Rio de Janeiro: ANPEd, v. 12, n.35, p. 290-299, 2007.

 

Por : Christiane de Carvalho Maito Borges

 

A autora é doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É professora desta instituição, onde coordena o núcleo de Educação sobre mídia, Educação e Subjetividade. É pesquisadora do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e editora da revista Educação e Realidade. Foi coordenadora do grupo de trabalho Educação e Comunicação da ANPEd e é membro do Comitê Científico desta mesma instituição. Com diversos trabalhos já publicados, tem pesquisa em andamento dentro da sua temática: “Alteridade e cultura midiática: memórias de juventude”.

No seu artigo sobre “Mídias, máquinas de imagens e práticas pedagógicas”, a autora faz uma profunda reflexão sobre a relação das tais tecnologias e as práticas pedagógicas no presente. Busca, a partir do conceito histórico da palavra techné, apreender o verdadeiro sentido da tecnologia na e para a sociedade, como possibilidades de transformações históricas nos modos de fazer e aprender.

Nessa perspectiva, a autora inicia o texto apresentando cenas de contextos, ambientes e sujeitos aparentemente distintos, mas que se aproximam pela relação que mantêm com os instrumentos  e meios de comunicação tecnológicos.à disposição de todos (ou pelo menos da grande maioria), como celular, computador, internet, televisão. Demonstra com isso, a realidade vivenciada hoje, na qual os sujeitos estão sempre hiperligados e conectados em tudo, virtualmente, mas acabam perdendo qualidade em suas vivências com as pessoas do mundo real, à sua volta.

As transformações que se percebe nas relações de convívio, nos comportamentos cotidianos, foram ao longo do tempo provocadas por essas tecnologias, sugere a autora. A quantidade excessiva de informações, a velocidade em que elas se processam, sem dúvida, modificam o status quo da sociedade atual.

Nesse sentido, diante de tamanha intervenção e determinação nos modos de vida das pessoas pelos meios midiáticos, não se pode ignorá-los principalmente nos ambientes escolares, nos espaços de aprendizagem. A autora defende a “necessidade de um movimento incessante do pensamento no estudo das complexas relações que se podem fazer em mídias e educação” (p. 291). Isso reforça, para a autora, a necessidade de incluir os materiais midiáticos e suas relações com o social e o cultural, nos debates sobre didática e práticas de ensino.

Nesse processo, a autora alerta para o perigo da expressão, “novas tecnologias”, pois isso nos levaria a assumir uma verdade hegemônica, pela qual se privilegia o novo pelo novo, incorrendo no risco de descartar o que continua importante, bem como incorre na tentativa conservadora de “separar em mundos diferentes homens e máquinas, arte e tecnologia – como se isso fosse possível” (p. 292), esquecendo-se que a sociedade hoje não está dissociada desses elementos. Eles também fazem parte de nossa cultura, linguagem, escrita, enfim, de nossos processos sociais e culturais. Daí a impossibilidade de desvincular as relações em mídia e educação sem pensar em lutas de poder, estratégias de controle globalizado, lutas de grupos e indivíduos por um espaço que os possibilite acesso à informação e participação social.

Prosseguindo, pesquisa da autora sobre as narrativas midiáticas apontam que a juventude, nesse processo, é vista como referencial para a sociedade, porém, com seu passado marcado por “produtos midiáticos diversos, jamais desvinculados de prática consumista” (p. 294). De acordo com a autora, as histórias narradas no meio midiático podem confundir o real com a ficção. Para  autora, (p. 295),

Nosso presente, hoje, é feito fortemente de narrativas a que temos acesso por nossas relações com a internet e a televisão; é esse presente, com todas as suas metáforas, ícones..., que opera em nós, acionando memórias, construindo e reconstruindo um jeito de entender o que seria nossa história, pessoal e social.

Isso significa dizer que, essas tecnologias, devem ser estudadas na complexidade das relações entre os sujeitos, com o mundo e com as coisas, assumindo o que somos hoje, que nos tornamos indivíduos de determinadas verdades e de certos modos de existência ‘tecnológica’ ” (p. 292).

Para concluir a discussão, a autora imagina a possibilidade de uso dos meios midiáticos nos espaços escolares, mas de forma diferente de como se vem fazendo, ou seja, transpondo essa linha crítica reducionista e superficial de ver tais tecnologias.

Para a autora, as mídias são elementos fundamentais da cultura contemporânea. E, por exemplo, uma possibilidade de ampliação de repertório de professores, crianças, adolescentes, num processo de diferenciar aquilo que se vê no cotidiano, da grande mídia, para aprofundar e “educar olhos e ouvidos, educar a alma de modo que o pensamento crítico se forme aí” (p. 298). Ampliar o repertório numa perspectiva educacional é ampliar as possibilidades de estabelecer relações, das mais diversas.

É, nesse sentido, que a autora propõe a utilização das tecnologias midiáticas no contexto escolar “como ferramenta diferenciada para pensar outro modo o presente que vivemos”.

Assim, a leitura do presente trabalho, de Rosa Maria Bueno Fisher é indicado para os professores que pretendem transcender às formas tradicionais de ensinar, aproveitando tudo aquilo que as velhas, novas e boas tecnologias têm e podem oferecer ao trabalho docente.

 

 

 

Um comentário:

  1. O uso das mídias hoje em dia é de uma profunda necessidade,pois tudo ao nosso redor é com uso dessas ferramentas como a internet,computador,as redes sociais.Por isso nas escolas e os professores devem saber usá-las e fazer com que o método tradicional seja revertido com as novas tecnologias educacionais.

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