RESENHA CRÍTICA DO ARTIGO “MIDIAS,
MAQUINAS DE IMAGENS E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS”, DA AUTORA ROSA MARIA BUENO FISHER.
FISHER,
Rosa Maria Bueno. Mídia, máquinas de
imagens e práticas pedagógicas. Revista Brasileira de Educação, Rio de
Janeiro: ANPEd, v. 12, n.35, p. 290-299, 2007.
Por
: Christiane de Carvalho Maito Borges
A
autora é doutora em Educação pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul. É
professora desta instituição, onde coordena o núcleo de Educação sobre mídia,
Educação e Subjetividade. É pesquisadora do Conselho Nacional de
Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), e editora da revista Educação
e Realidade. Foi coordenadora do grupo de trabalho Educação e Comunicação da
ANPEd e é membro do Comitê Científico desta mesma instituição. Com diversos
trabalhos já publicados, tem pesquisa em andamento dentro da sua temática:
“Alteridade e cultura midiática: memórias de juventude”.
No
seu artigo sobre “Mídias, máquinas de imagens e práticas pedagógicas”, a autora
faz uma profunda reflexão sobre a relação das tais tecnologias e as práticas
pedagógicas no presente. Busca, a partir do conceito histórico da palavra techné, apreender o verdadeiro sentido
da tecnologia na e para a sociedade, como possibilidades de transformações
históricas nos modos de fazer e aprender.
Nessa
perspectiva, a autora inicia o texto apresentando cenas de contextos, ambientes
e sujeitos aparentemente distintos, mas que se aproximam pela relação que
mantêm com os instrumentos e meios de
comunicação tecnológicos.à disposição de todos (ou pelo menos da grande
maioria), como celular, computador, internet, televisão. Demonstra com isso, a
realidade vivenciada hoje, na qual os sujeitos estão sempre hiperligados e
conectados em tudo, virtualmente, mas acabam perdendo qualidade em suas
vivências com as pessoas do mundo real, à sua volta.
As
transformações que se percebe nas relações de convívio, nos comportamentos
cotidianos, foram ao longo do tempo provocadas por essas tecnologias, sugere a
autora. A quantidade excessiva de informações, a velocidade em que elas se
processam, sem dúvida, modificam o status
quo da sociedade atual.
Nesse
sentido, diante de tamanha intervenção e determinação nos modos de vida das
pessoas pelos meios midiáticos, não se pode ignorá-los principalmente nos ambientes
escolares, nos espaços de aprendizagem. A autora defende a “necessidade de um
movimento incessante do pensamento no estudo das complexas relações que se
podem fazer em mídias e educação” (p. 291). Isso reforça, para a autora, a
necessidade de incluir os materiais midiáticos e suas relações com o social e o
cultural, nos debates sobre didática e práticas de ensino.
Nesse
processo, a autora alerta para o perigo da expressão, “novas tecnologias”, pois
isso nos levaria a assumir uma verdade hegemônica, pela qual se privilegia o
novo pelo novo, incorrendo no risco de descartar o que continua importante, bem
como incorre na tentativa conservadora de “separar em mundos diferentes homens
e máquinas, arte e tecnologia – como se isso fosse possível” (p. 292),
esquecendo-se que a sociedade hoje não está dissociada desses elementos. Eles
também fazem parte de nossa cultura, linguagem, escrita, enfim, de nossos
processos sociais e culturais. Daí a impossibilidade de desvincular as relações
em mídia e educação sem pensar em lutas de poder, estratégias de controle
globalizado, lutas de grupos e indivíduos por um espaço que os possibilite
acesso à informação e participação social.
Prosseguindo,
pesquisa da autora sobre as narrativas midiáticas apontam que a juventude,
nesse processo, é vista como referencial para a sociedade, porém, com seu
passado marcado por “produtos midiáticos diversos, jamais desvinculados de
prática consumista” (p. 294). De acordo com a autora, as histórias narradas no
meio midiático podem confundir o real com a ficção. Para autora, (p. 295),
Nosso
presente, hoje, é feito fortemente de narrativas a que temos acesso por nossas
relações com a internet e a televisão; é esse presente, com todas as suas
metáforas, ícones..., que opera em nós, acionando memórias, construindo e
reconstruindo um jeito de entender o que seria nossa história, pessoal e
social.
Isso
significa dizer que, essas tecnologias, devem ser estudadas na complexidade das
relações entre os sujeitos, com o mundo e com as coisas, assumindo o que somos
hoje, que nos tornamos indivíduos de determinadas verdades e de certos modos de
existência ‘tecnológica’ ” (p. 292).
Para
concluir a discussão, a autora imagina a possibilidade de uso dos meios
midiáticos nos espaços escolares, mas de forma diferente de como se vem
fazendo, ou seja, transpondo essa linha crítica reducionista e superficial de
ver tais tecnologias.
Para
a autora, as mídias são elementos fundamentais da cultura contemporânea. E, por
exemplo, uma possibilidade de ampliação de repertório de professores, crianças,
adolescentes, num processo de diferenciar aquilo que se vê no cotidiano, da
grande mídia, para aprofundar e “educar olhos e ouvidos, educar a alma de modo
que o pensamento crítico se forme aí” (p. 298). Ampliar o repertório numa
perspectiva educacional é ampliar as possibilidades de estabelecer relações,
das mais diversas.
É,
nesse sentido, que a autora propõe a utilização das tecnologias midiáticas no
contexto escolar “como ferramenta diferenciada para pensar outro modo o
presente que vivemos”.
Assim,
a leitura do presente trabalho, de Rosa Maria Bueno Fisher é indicado para os
professores que pretendem transcender às formas tradicionais de ensinar,
aproveitando tudo aquilo que as velhas, novas e boas tecnologias têm e podem
oferecer ao trabalho docente.
O uso das mídias hoje em dia é de uma profunda necessidade,pois tudo ao nosso redor é com uso dessas ferramentas como a internet,computador,as redes sociais.Por isso nas escolas e os professores devem saber usá-las e fazer com que o método tradicional seja revertido com as novas tecnologias educacionais.
ResponderExcluir